Início de ano novo, aquele otimismo de sempre, novas expectativas, orçamento estruturado e previsto para o período, receitas esperadas, custos e despesas na ponta do lápis e aquele investimento previsto para a melhoria da atividade operacional da empresa.

O período é propício para analisar os relatórios gerenciais da empresa previstos e realizados do ano anterior e projetar para novo período, como por exemplo a lucratividade (receitas menos despesas), a rentabilidade (lucro do período em relação ao capital investido), evolução do faturamento e custos/despesas, o orçamento empresarial.

Uma coisa é certa o desafio continua para enfrentar a crise, pois o vírus (Covid19) ainda nos preocupa com o surgimento das variantes. Além do impacto da área da saúde, temos uma crise afeta também as maiores economias mundiais e aqui no Brasil não está sendo nada diferente, pois aqui teremos uma instabilidade política por conta de um ano eleitoral, dólar elevado, inflação, juros subindo a exemplo da Selic, taxa de desemprego alta. Alguns especialistas até comentam em um cenário pessimista. Neste momento onde a crise econômica se instala o melhor a fazer é aplicar o seu planejamento estratégico para seguir em frente com sua empresa, superando a crise.

Analise seu orçamento do ano anterior, reveja expectativas de retração e de crescimento do faturamento, custos e despesas, e investimentos. Sendo assim a gestão da empresa e deverá fazer uma reestruturação do orçamento que deve ser repassado a parte financeira, tributária e trabalhista.

Ao olhar para a gestão interna da empresa muitas medidas e decisões neste momento estão sendo afetadas por decisões externas, como as questões financeiras, tributárias e trabalhista.

Vamos começar pela parte trabalhista, depois a tributária e por último a financeira porque as primeiras terão impactos direto sobre a financeira, onde falaremos um pouco do fluxo de caixa.

Na gestão trabalhista em um momento de crise as empresas poderão:

– Ajustar o quadro de funcionários, mas precisa de uma análise profunda e detalhada observando a qualificação, custo benefício e tempo de casa, por conta dos custos da rescisão; e lembre de manter uma comunicação transparente;

– Acompanhar com seu Contador a possibilidade de parcelamentos dos encargos sociais;

– Verificar se algumas atividades da empresa podem ser terceirizadas;

Na gestão tributária em um momento de crise as empresas poderão:

– Acompanhar com seu Contador as opções de parcelamento dos impostos e tributos municipais, estaduais e federais;

– Realizar um planejamento tributário entre os regimes adotados como o simples nacional, lucro presumido e lucro real;

– Verificar a possibilidade de recuperação tributária.

E como falamos que a parte financeira seria a última, vamos lá:

– Analisar o seu faturamento, pois segundo uma pesquisa do Sebrae, o impacto do Covis 19 nos pequenos negócios, trouxe uma queda de faturamento em torno de 60%, número este que vem sendo recuperado, mas ainda longe do normal.

– Analisar os custos da empresa, pois com a queda do faturamento, os custos variáveis têm tendência de redução por conta da redução das vendas, os custos fixos devem ser analisados para ver o que poderá reduzir;

– Uma forma de analisar os custos é realizar análise vertical e horizontal, para rever o que pode ser eliminado, mas cuidado para não cortar custos que possam interferir na qualidade dos produtos ou na prestação dos serviços.

– Analisar custos que são em forma de contratos, como por exemplo: alugueis e outros que poderão ser renegociados, pois o próprio mercado acabou regulando esta prática.

– Elaborar o fluxo de caixa segundo análise do fluxo realizado e fluxo de caixa projetado.

Em falando em fluxo de caixa vamos comentar um pouco destas desta ferramenta que poderá auxiliar na gestão financeira do seu negócio.

Um dos fatores importantes é conhecer seu histórico de faturamento custos variáveis e fixos é determinante para analisar o resultado operacional de caixa. Muitas empresas estão recorrendo aos empréstimos bancários que são as entradas de caixa não operacionais. Esta é uma saída para estabilizar o fluxo de caixa, mas deve ser planejada e considerada as saídas futuras dos pagamentos para não se descontrolar nos períodos posteriores.

As saídas não operacionais como retiradas de lucros também precisam ser revistas, assim como a empresa está se reestruturando os sócios devem rever seus gastos pessoais.

Em resumo busque alternativas para incrementar as entradas operacionais de caixa, revise seus custos fixos e variáveis, negociando com fornecedores descontos e prazos.

Em busca de crédito, analise as menores taxas de juros e prazos. Busque renegociar as dívidas mais antigas e que foram contratadas com juros mais altos e peça prorrogação de parcelas para ajustas seu fluxo de caixa.

A gestão tributária, trabalhista também poderão favorecer o seu ajuste do fluxo de caixa, converse com seu Contador e alinhe suas decisões. Busque apoio de instituições com referência, como as Associações Comerciais e o Sebrae.

Seguindo estas dicas você poderá criar novas estratégias e com a empresa reestruturada, adotando a gestão trabalhistas, tributarias, financeiras conseguirá levar o seu negócio em frente. Sabemos que não está sendo fácil, mas para mostrar que você realmente é um empreendedor, deverá usar uma das características que é a persistência e vamos em frente.

Por Roque Andrade – Consultor em Finanças; Contador; Sócio das empresas Conta Gestor Contabilidade e RA Consultoria Empresarial; Consultor Credenciado Sebrae-Pr; Especialista MBA em Finanças, Auditoria e Planejamento Tributário; Diretor Suplente do Secap Campos Gerais; Membro do IPEC Instituto de Estudos Contábeis de Ponta Grossa.